Efeitos da Spina Bífida

A Spina Bífida é uma das malformações mais frequentes do sistema nervoso central e na maioria dos casos tem associada várias alterações graves, dependendo a existência e gravidade destas alterações da altura ou nível da lesão. Desta forma, as lesões associadas serão tanto mais frequentes e graves quanto mais extensa e/ou alta estiver localizada a lesão, sendo esta que determina o comprometimento neurológico destas crianças e consequentemente as necessidades que possam apresentar.

Cuberos (1993) afirma que as principais lesões associadas são: hidrocefalia, alterações neurológicas, alterações ortopédicas e alterações das funções urológicas e intestinais. Outras alterações aparecem associadas à Spina Bífida como úlceras por pressão, alergia ao látex e problemas visuais.

Assim, em suma, e se tivermos em conta os principais sistemas de desenvolvimento do ser humano podemos arrumar as principais sequelas da Spina Bífida da seguinte forma:

Impacto no desenvolvimento sensório-motor: diminuição da sensibilidade -analgesia- dos membros inferiores, paralisia dos membros inferiores e alterações ortopédicas como escoliose, luxação bilateral da anca, pés calcâneo/valgus/equinos/varus ou outras formas associadas, puberdade precoce, alterações visuais, disfunção urológica ao nível da existência de bexiga neurogénica e incontinência do esfíncter vesical, disfunção intestinal por existência de intestino neurogénico e incontinência do esfíncter anal.

Impacto no desenvolvimento cognitivo: hidrocefalia (ver capítulo seguinte),

Impacto no desenvolvimento emocionaldéfices nas competências de análise e resolução de problemas e tomada de decisão; imaturidade emocional e social; problemas de autoconceito e autoestima e ansiedade e traços depressivos.

De forma mais sistemática, seguem descritas as principais alterações do foro:

  • Ortopédico

Necessitando de intervenção terapêutica precoce, com o objectivo de maximizar a sua mobilidade. Consistem em, corrigir as deformidades, melhorar a função locomotora, minimizar os efeitos da deficiência motora e sensitiva, através do recurso à fisioterapia, utilização de ortóteses para auxiliar a marcha que podem requerer um acompanhamento em regime ambulatório assíduo.

  • Urológico

Constitui uma das alterações mais preocupantes, não só pelos riscos que comportam a nível renal, com as infecções urinárias de repetição, como também pela potencial necessidade de esvaziamento da bexiga com um cateter (algaliação) de forma periódica, situação que pode constituir um  dos maiores obstáculos à integração escolar (Sandler, 1997).

  • Intestinal

Manifestam-se através de uma incontinência do esfíncter anal, apresentando emissão constante de fezes, podendo haver necessidade de utilização de absorventes higiénicos (pensos ou fraldas), sendo que esta situação pode impactar ao nível das suas relações interpessoais.

  • Neuromuscular

Atendendo a que este não evolui biologicamente de uma forma diferente do sistema neurológico, as dificuldades na comunicação proprioceptiva da criança irão igualmente ter repercussões a nível da função tónica, que lhe possibilita a postura bípede, Fonseca (2002).

Atribuindo extrema importância ao movimento, constituindo este, a via para a estruturação da “inteligência sensorio-motora” que pressupõe uma enervação com feedback, que forma a base da função integrativa do cérebro (Fonseca, 1999). O mesmo autor, reforça a necessidade que estas crianças apresentam em utilizar os membros superiores como suporte de locomoção, situação que irá sem dúvida, diminuir as oportunidades de exploração e manipulação do meio que as rodeia, limitando a sua aprendizagem e consequentemente a sua capacidade cognitiva.

Grande parte destas crianças tem associada uma malformação complexa do cérebro denominada por Arnold Chiari que consiste, na descida do cerebelo e tronco cerebral, aumento do diâmetro do Foramen Magnum e um espessamento da fossa posterior do crânio. Estudos feitos em ratos explicam estas alterações, com o possível ancoramento da medula no saco do mielomeningocelo, que no decorrer da gestação o crescimento cefalo-caudal faz um efeito de “estiramento” das estruturas cerebrais, e espessamento da fossa posterior do crânio, que se traduz numa adaptação da calote craniana às estruturas cerebrais (Sandler, 1997). (ver Hidrocefalia – Malformação de Arnold Chiari II)

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